terça-feira, maio 24

Vota Queu Conto #4 - Resultado

Depois de uns meses estou de volta por aqui!

Segue o resultado da quarta votação, que resultou no início #3. Espero que gostem:


Blog Suicida



Postado por Quero Morrer em 17/02

Eu não gostava de mim até tomar aquela overdose e cortar os pulsos... depois que acordei no hospital e percebi que estava vivo, passei a me odiar. Porra, por que tudo sempre dá errado? A culpa é da minha mãe, que não me abortou quando era tempo. Acho que toda mãe deveria ter direito inato de abortar seus filhos até os dezoito anos... aí ela teria me poupado dessa merda toda. Ou não. Provavelmente teria dado errado, como tudo nessa minha vidinha desgraçada.

Eu podia estar matando, podia estar roubando, mas preferi dar um fim à minha existência. Custava dar certo? NÃO, eu tinha que tomar o remédio errado, né? E ficar tão alucinado que nem conseguia enxergar a faca, quanto mais meus pulsos... Ganhei 15 pontos na coxa esquerda e decepei meu indicador da mão direita. Disseram que não reimplantaram meu dedo porque meu cachorro o comeu, aquele FILHO DA PUTA.

Continuo fudido. E sem um dedo. O que vou fazer agora, vivo e sem um dedo? Dessa vez eu vou fazer isso direito: vou tomar comprimidos pra dormir e deixar o carro ligado dentro da garagem. Pra garantir vou tomar a caixa toda. Até nunca mais!


Postado por Quero Morrer em 20/02

Acordei cagado, morto de fome e percebi que dormi ANTES de ligar a porra da chave da merda do carro. PUTA QUE O PARIU! POR QUE É TÃO DIFÍCIL MORRER? Acho que o negócio é esse... quanto tempo alguém vive sem comida e sem água? Vou continuar assim até secar. Dessa vez eu não escapo.


Postado por Quero Morrer em 21/02

Encontrei na internet um cara que viveu 24 dias sem comer ou beber e foi salvo porque entrou num tipo de estado de hibernação. Vou tentar não dormir, também. Já estou bem fraco... dessa vez vai dar certo!


Postado por Quero Morrer em 27/02

Nao sssinto minhabóbora. a nuvem está difícicil de falafome. friooooaaagora vaaaaaaaaaaaaaaai.....


Postado por Quero Morrer em 18/04

A filha da puta da faxineira TINHA que me encontrar e chamar a PORRA da ambulância? CARALHO! Ficar amarrado tomando soro foi a pior coisa que podiam ter feito comigo. De PROPÓSITO. Imprimiram e deixaram os textos do meu blog pendurados na minha cara. O tubo na minha boca me impedia de cuspir nessa porra. Por isso que eu não vou desistir. Este será definitivamente o meu blog suicida. Vocês têm que acompanhar e sentir o quanto eu quero me livrar dessa merda de vida!

Vou me enforcar no banheiro. O teto é bem alto e tenho uma corda perfeita! Adeus!


Postado por Quero Morrer em 06/07

De volta pra merda da minha casa. Ao subir na privada pra jogar a corda, ela QUEBROU e dilacerou minha perna esquerda. Precisaram amputar...

Mas agora eu encontrei a solução que eu queria pra dar um jeito nisso de uma vez por todas. Troquei meu carro por um revólver. Agora não tem mais volta. é um tiro na boca e nunca mais. Tchau mesmo!


Postado por Ubaldo Neves em 12/02

Boa tarde a todos.

Eu sou o doutor Ubaldo. A pedido do paciente escrevo estas palavras. Depois do tiro em que se deu na boca, a bala partiu sua coluna e o deixou tetraplégico. Depois desta longa recuperação pediu que eu encerrasse este diário. Diz a todos que ainda não gosta de si, mas nós aqui da clínica o tratamos como nunca foi tratado antes, pelo menos.

Sem mais.




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quinta-feira, fevereiro 17

Vota Queu Conto #4

Instruções:
Eu escolho uma edição antiga do Inícios para Livros e republico;
Vocês escolhem o início mais legal e escrevem o número nos Comentários;
Na semana seguinte, eu publico um conto utilizando o número mais votado como início.



Inícios para Livros - 65ª Edição (Publicado em 09/08/2007)

Especial Suicidas


#1

A dor, ah, a dor de estar vivo era lancinante.

#2
Cheguei na campina após a terceira montanha, florida como a primavera, ensolarada como o verão, os pássaros em revoada como o outono, meu coração congelado como o inverno, e finalmente eu encontrara: ali era realmente um lindo lugar para se morrer.

#3
- Eu não gostava de mim até tomar aquela overdose e cortar os pulsos... depois que acordei no hospital e percebi que estava vivo, passei a me odiar.

#4
Deodoro sempre gostou de morar no último andar do mais alto prédio da cidade, até resolver chegar ao térreo pelo jeito mais rápido.

#5
- O que acontece se puxar este f...

#6
Viriato foi encontrado na garagem de sua casa dentro de uma piscina desmontável cheia de água, um celular ligado na tomada, o aquecedor a gás aberto com a chama piloto desligada, uma pistola semi-automática, um revólver calibre .38, uma carabina, caixas e caixas de remédios tarja preta, uma navalha, 5 litros de querosene, uma mistura de gasolina com suco de laranja, três granadas, uma corda pendurada no teto com um nó de forca, uma moto-serra, uma furadeira elétrica, uma serra tico-tico, e um saco plástico: a polícia suspeita que seja suicídio.

#7
- Neste bar só tem viado e puta!

#8
Não há nada mais benéfico e compensador do que atravessar a pele do pulso de lado a lado com uma faca virgem...

#9
E lá estava minha mãe, deitada de bruços sobre uma poça de sangue, e seu cérebro espalhado por toda a parede.

#10
- Olá borboletas, olá passarinhos, olá azaléias, olá estrada, olá caminh...



Não se esqueçam de votar nos comentários qual é o número escolhido, ok?
Semana que vem eu publicarei um conto com o início vencedor.
Divirtam-se!




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segunda-feira, março 15

Vota Queu Conto #3 - Resultado

Demorou mas valeu a pena! :D

Finalmente, depois de muitas semanas de atraso, vamos ao resultado da terceira votação, que resultou no início #4.

Fiquei realmente muito empolgado com o resultado. Espero que vocês apreciem:



Capa Cordel Primeiro - Jabaculê Rufião no Dia de sua Dura Condenação


CORDEL PRIMEIRO
Texto: André Lasak
Ilustrações: Tiburcio


INTRODUÇÃO
Esta é a história de Jabaculê, o cangaceiro cospe-fogo,
que assustou Lampião num ritual de mau agouro;
quem esta história lê, ou muda de cidade ou fica desnorteado,
porque fará mal pra você, quer tenha bondade ou seja malvado;
aguarde emoções e alegrias, sustos e fantasias,
mentiras e verdades, soluções e divanias;
porque esta é a história de Jabaculê, o cangaceiro arranca-corno,
que cobriu Maria Bonita e levou de Lampião o adorno.


Imagem 01 Cordel Primeiro - Jabaculê Rufião no Dia de sua Dura Condenação


I

No aniversário de meu padim Padi Ciço
Ano de nosso sinhô Jesus Cristim 1907
Nascia Januário Sebastião do Bom Viço
Um cabra macho que a dura vida promete

Perdeu a mãe na noite nascida
A dinda no inverno seguinte
O pai numa tocaia na lida
Avó de fome em conseguinte

O avô numa briga de bar
A outra avó de bexiga
O dindo em mais briga
O outro avô ao despertar


Imagem 02 Cordel Primeiro - Jabaculê Rufião no Dia de sua Dura Condenação


II

Criado foi no lombo do burro
De seu tio Jupirá Santinho
Um boiadeiro bom e miudinho
De fala mole e jeitão casmurro

Tomava leite de jumenta
Comia ovo de calango
Sede com água benta
Doença com pé de frango

Matava mutuca com peteleco
Aos dois e meio e pouco
Aos três já arrancava toco
Só com braço e perereco


Imagem 03 Cordel Primeiro - Jabaculê Rufião no Dia de sua Dura Condenação


III

Aos nove perdeu boiadeiro Santinho
Num buraco de cobra que se sentou
Corajoso que era nem mesmo chorou
Apenas enterrou seu tio Jú-paizinho

Agora era só o burro e Januário
Pelas bandas do seco Aricó
Andando magrinho de dar dó
E ostentando seu escapulário

De seca em seca o coitado persistia
Comendo o pão que o demo amassou
Depois que o burro por fim se esticou
Sozinho no mundo ele sobrevivia


Imagem 04 Cordel Primeiro - Jabaculê Rufião no Dia de sua Dura Condenação


IV

Agora que contava onze e meio
Roubava vendas e velhinhos
Moendas, ebós e doentinhos
Pra tentar comer de prato cheio

Aí que ele foi pego no susto
Por um jagunço irritadiço
De porte médio e robusto
Enquanto pegava chouriço

Apanhou até dizer chega
Foi aí que apanhou mais
Ao que gritou a galega:
- Dêxumininempáiz!


Imagem 05 Cordel Primeiro - Jabaculê Rufião no Dia de sua Dura Condenação


V

Galega nova, viçosa e bonita
Era a mais desejada do sertão
Então o jagunço largou o ladrão
Voltando ao trago em sua birita

- Minino, assim não se faz, não!
- Era só pedir pra Januária
- Que eu te dava o que era bão...
- Assim tu deixava de ser pária!

Como mãe Januária cuidou
Do pobre Januário magrinho
Tão bem que até de terninho
Na missa domingo ele usou


Imagem 06 Cordel Primeiro - Jabaculê Rufião no Dia de sua Dura Condenação


VI

Foram três anos bem felizes
Na vida de Januário Bom Viço
Mas a vida dura cobra as raízes
De quem deve seu compromisso

Foi que os cangaceiros chegaram
Pra acabar com a ingênua alegria:
Januária estuprada na catatonia
Foi assim. Sua cabeça cortaram.

O garoto pouparam pra contar o que vira
Antes, bateram tanto que até desmaiou
Ao acordar, nem mesmo acreditou
No que da vista a desgraceira lhe tira


Imagem 07 Cordel Primeiro - Jabaculê Rufião no Dia de sua Dura Condenação


VII

Januário gritou um ódio por demais avexado
Pelo que viu com seus pobres olhos doridos
- A vingança é o caminho de nós, oprimidos
- Pr’esses carniceiros, o mundo tá acabado!

- A partir de hoje sou Jabaculê
- O novo rei do cangaço
- E vou fazer com você
- O que jacaré faz com sanhaço!

---

A história não acaba por aqui, caro leitor;
aguarde uma breve temporada, que a outra parte contarei;
tem muito mais dor, eu direi, que nesta já desembrulhada;
agüente firme e sem ardor a vingança de Jabaculê,
e descubra o que o cospe-fogo pode fazer com você.





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sexta-feira, janeiro 22

Vota Queu Conto #3

Instruções:
Eu escolho uma edição antiga do Inícios para Livros e republico;
Vocês escolhem o início mais legal e escrevem o número nos Comentários;
Na semana seguinte, eu publico um conto utilizando o número mais votado como início.



Inícios para Livros - 31ª Edição (Publicado em 22/08/2006)
Especial Folclore

#1

Todo vinte e dois de agosto chove mistério.

#2
Nana nenê, que a Cuca vem pegar, papai tá desempregado, mamãe foi mendigar.

#3
Assim que a vaca tossiu, Zé-da-Bota acreditou na bazófia de Tisiu.

#4
Esta é a história de Jabaculê, o cangaceiro cospe-fogo, que assustou Lampião num ritual de mau agouro; quem esta história lê, ou muda de cidade ou fica desnorteado, porque fará mal pra você, quer tenha bondade ou seja malvado; aguarde emoções e alegrias, sustos e fantasias, mentiras e verdades, soluções e divanias; porque esta é a história de Jabaculê, o cangaceiro arranca-corno, que cobriu Maria Bonita e levou de Lampião o adorno.

#5
Bambalalão, senhor capitão, olho de vidro, nariz de pica-pau.

#6
Saci-Pererê apareceu procê, daí ocê correu sem oiá pra trás e nem viu que ele tropeçô.

#7
Boi, boi, boi, boi da cara preta, pega essa menina que é preconceituosa.

#8
Escravos de Jó, queriam motinar, veio o capitão do mato matar, chibata lá no tronco gritam puta que o pariu!

#9
O Cravo traiu a Rosa, na cama da empregada, o Cravo saiu sifilítico, e a Rosa, mal descasada.

#10
- Ô, menino!, cuidado com a porra do buraco de formiga!


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Semana que vem eu publicarei um conto com o início vencedor.
Divirtam-se!

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quinta-feira, outubro 1

Vota Queu Conto #2 - Resultado

Vamos ao texto da segunda votação, que resultou no início #6.



De Encontro ao Destino

Mamãe deveria ter me ouvido... Papai também. De todos os meus erros, aquele era irrecuperável. Muitos anos se passaram até que eu tomasse coragem de pôr meus pés em Montes Teus novamente. Foi uma grande metamorfose: deixei a barba, mudei o corte de cabelo, tomei sol, alterei meu nome no RG. Eu estava irreconhecível. Vendi tudo o que tinha. Com o dinheiro, comprei um carro e peguei a estrada rumo ao meu destino.

Destino. Tudo aquilo que você não espera que vá acontecer algum dia destes. Mas acontece. Ponderei todos os anos que se passaram. Lembrei do meu falecido irmão, o primogênito, o queridinho, o herói da nação, o grande desgraçado que ganhava toda a atenção e carinho de todos, enquanto eu era apenas como um papel de parede rasgado. Todos sabem que o rasgo está lá, mas ninguém se importa em arrumá-lo. Eu era ninguém. Só deram conta da minha existência quando o primogênito, o queridinho, o herói da nação, o grande desgraçado que ganhava toda a atenção e carinho de todos, morreu atropelado por um trem de carga que descarrilou. Luto profundo. Toda Montes Teus abarrotou a igrejinha do padre Alonzo. E o cemitério. O prefeito deu cinco dias de luto. A cidade parou. Ninguém saía de casa. Ninguém andava nas ruas. Cinco noites iluminadas à luz de velas.

Ninguém deixou de participar. Eu, como já era ninguém, fui a exceção. Passei uma semana vagando pelas estradas vizinhas, de cidade em cidade, conhecendo pessoas e as novidades do mundo. Quando retornei que notaram a minha existência. Foi aí que tudo mudou. Tentaram, de todas as formas, me transformar em pelo menos uma sombra do que foi o primogênito, o queridinho, o herói da nação, o grande desgraçado que ganhava toda a atenção e carinho de todos. Desde o início eu avisei que isso era inútil, além de extremamente estúpido. Desde o início insisti aos meus pais que aquilo era loucura. Eles nunca iriam recuperar em mim tudo o que ele representava. E não recuperaram. Dia a dia, lamentavam a falta de Irineu - é, o primogênito e tudo o mais tinha um nome -. Dia a dia, erguiam as mãos aos céus praguejando o por quê de Deus tê-lo tirado de suas vidas, e não a mim.

Mamãe deveria ter me ouvido... Papai também. Naquela noite chuvosa, algo poderoso acordou dentro de mim. Uma fúria tomou conta de cada músculo do meu corpo. Minha voz ganhou proporções assustadoras. Com uma marreta, dei cabo de tudo o que me incomodava dentro daquela casa. Sem pestanejar ou olhar para trás, fugi. Com a roupa do corpo tomei o último ônibus rumo à liberdade. Desde então, pesadelos diários importunavam meu sono e minha sanidade. Tentei de todas as formas encontrar um bálsamo para esta tortura, mas nada adiantava. Dez anos depois cheguei à conclusão que deveria voltar a Montes Teus para exorcizar todas as minhas agonias. Aquela seria a minha última chance. Um último passo para trás, antes do abismo da loucura. Foi uma grande metamorfose: deixei a barba, mudei o corte de cabelo, tomei sol, alterei meu nome no RG. Eu estava irreconhecível.

Cheguei em Montes Teus bem cedo. Parece que nada mudara por aqui desde minha fuga. Puseram ao chão a igrejinha do padre Alonzo e construíram uma de verdade. Só isso. Reconheci, na alameda, aquele velho casebre. Minha casa estava de pé, ainda. Mal podia esperar para bater naquela porta. Meu coração palpitava. Uma gota de suor gelado irritou meu olho esquerdo. Eu tremia em todas as minhas terminações nervosas. Criei coragem e bati. Silêncio. Bati novamente. A porta pôs-se a abrir. O sol revelou um casal de velhos assustados, que me olhavam com curiosidade. Comecei a falar:

- Pai? Mãe? Fugi por dez anos para provar que eu nunca seria igual ao Irineu. Mas de agora em diante, prefiro que não me chamem nunca mais de Maria Rita.


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terça-feira, setembro 22

Vota Queu Conto #2

Está de volta esta seção do Quimera Ufana.

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• Eu escolho uma edição antiga do Inícios para Livros e republico;
• Vocês escolhem o início mais legal e escrevem seu número nos Comentários;
• Na semana seguinte, eu publico um conto utilizando o número mais votado como início.



Inícios para Livros - 26ª Edição (Publicado em 18/07/2006)
Especial Maníaco-Depressivos

#1

Iniciava mais um detestável sábado de sol, e um irritante sabiá cantarolava até ser atingido em cheio por meu rifle com mira telescópica.

#2
Morrer: talvez matar, de tanto lamuriar ou entorpecer.

#3
A dor do sentimento era tanta que nem de sentimento mais me lembrava e nem mais sabia do que lamentava, apenas me arrastava pelo chão como poeira, um ácaro de infelicidade pisado pelos pés de Margarida, Lurdinha, Benedita, Joaquina, Ermengarda e Landinalva, vagabundas!, gritava em meu delírio constante, meu mais visceral desapontamento, de forma que até minhas amídalas exalavam ausência, minha cólera em dobro espumava, e minha eterna e única obsessão em escrever longas frases que pareciam parágrafos voltava à tona.

#4
Ainda é pouco menos de um bem vazio copo de conhaque, um cinzeiro sujo e uma cadeira sem corpo presente.

#5
Feliz é efêmero, é resquício de algo triste que se esqueceu de chorar.

#6
Mamãe deveria ter me ouvido...

#7
Da esperança nada se cobra, da dor nada se esquece, da felicidade nada se lembra, da tristeza nada se esmorece.

#8
Debalde...

#9
Inúteis quereres de outrora deixados ao relento, ou simplesmente emborcados por reles mãos amarfanhadas e toscas.

#10
Nunca mais.


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Quarta-feira que vem eu publicarei um conto com o início vencedor.
Divirtam-se!

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sexta-feira, junho 5

Vota Queu Conto #1 - Resultado

Vamos ao texto da primeira votação, que resultou no início #6.



Luxúria Verde

O meu pior sonho erótico envolvia um prato de caldo verde e uma samambaia. Minto. Digo o pior porque não havia mulheres. Nem eu. Mas havia uma sensualidade realmente surreal em tudo aquilo...

Ambiente de filme noir. Uma casinha de campo, sala de jantar. Corta para uma samambaia pendurada ao lado da janela. Uma brisa a movimenta, lentamente. Um belo pôr-do-sol vai dando lugar à noite. Corta para a mesa, vista de cima. Um prato de caldo verde encontra-se pousado em uma toalha xadrez, fumegando.

O vento fica mais forte. Um dos galhos da samambaia começa a avançar, toca na mesa e volta ao seu lugar. Avança novamente e pousa em cima da mesa. O vapor do prato não acompanha a direção do vento, seguindo até o galho. Toca levemente nele, tão suave que os esporos de suas folhas se eriçam, como que arrepiados. Volta a ventar e o galho sai da mesa, em direção à janela. O vapor do prato flutua até a samambaia, deixando-a totalmente arrepiada. Mais vento, agora. Um galho alcança a borda do prato, tocando levemente em seu conteúdo. O caldo verde treme. O galho cai na mesa. Mais vento o faz pousar dentro do prato fumegante.

Finalmente. Folha a folha deste galho de samambaia põe-se a desaparecer, lentamente, da superfície da sopa. Sinto um forte cheiro de batata, de couve, de azeite. Meus olhos mergulham nela. Submerso, lembro do gosto do primeiro caldo verde que experimentei na casa da minha avó, quando criança. A sensação do calor, do caldo translúcido com seus pequeninos grânulos de batata, competindo com as finas tiras de couve pelo mais aprazível sabor...

Naquele momento, compreendi que não era mais criança, mas sim um invisível expectador admirando algo inimaginável. Tiras de couve entrelaçavam entre as folhas da samambaia, enquanto grânulos de batata roçavam, resvalavam e grudavam nos esporos, em movimentos sincopados. O galho mergulhava mais na sopa, e depois voltava para a superfície. As cenas que eram até agora em preto e branco, transformam apenas os dois protagonistas. A samambaia vai mudando de cor a cada ida e volta, passando do verde claro ao escuro, em ondas dégradé. A mesma coisa acontece com os grânulos de batata e fatias de couve.

A intensidade de movimentos aumenta a cada ida e volta do galho. O calor aumenta, os cheiros se misturam, as cores se fundem. A samambaia e o caldo verde tornam-se um só, num rodamoinho de cores e sabores, odores e calores, acelerando cada vez mais e mais e mais... o prato começa a tremer e eu, submerso nele, sinto a trepidação assustadoramente. Algo maravilhoso está para acontecer.

O prato treme de tal forma que as cores mudam dos tons amarelo a verde para todos os tipos de tons, incluindo vermelhos e azuis. Nunca concebi com meus olhos tanta variedade de matizes. Eu conseguia decupar e classificar, a cada milésimo de segundo, milhares de subtons e subcheiros, notas e temperos, almas e graus... Êxtase. O prato dá um salto deixando que seu conteúdo se desprenda totalmente, flutuando no ar, enquanto que observo, por outro ângulo e em câmera lenta, os esporos de todas as folhas da samambaia expelindo um pó marrom por todo o ambiente.

...

Um corte súbito mostra a mesa vista de cima. O prato não está mais fumegante. Ao seu lado, o galho da samambaia encontra-se pousado em cima da toalha xadrez, encharcado. Há manchas úmidas de sopa em quase todo o tecido. O quadro vai abrindo, revelando toda a sala. O vento pára. A cena escurece lentamente. Antes de subir os letreiros, desperto.

Acordo molhado.



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quinta-feira, maio 28

Vota Queu Conto

Bom dia!/ Boa tarde!/ Boa noite!
Vou testar uma sugestão do Ciccone no Quimera Ufana.

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• Vocês escolhem o início mais legal e escrevem seu número nos Comentários;
• Na semana seguinte, eu publico um conto utilizando o número vencedor como início.


Esta é a minha primeira escolha.
Não se esqueçam de votar nos comentários qual é seu número escolhido, ok?
Quarta-feira que vem eu publicarei um conto com o início vencedor.
Divirtam-se!



Inícios para Livros - 14ª Edição (Publicado em 24/01/2006)
Especial Mundo dos Sonhos

#1

Meu sonho de criança era ser um lemingue, para poder marcar um suicídio coletivo com meus amiguinhos.

#2
Uma porta foi aberta no grande corredor, e dela surgiram milhares de janelas cantando ópera.

#3
Setecentos macacos gritaram, e a nêspera conseguiu desviar do ônibus.

#4
Você já foi sufocado por lençóis com vida própria?

#5
A cada passo que eu dava, uma luz acendia no chão da grande biblioteca.

#6
O meu pior sonho erótico envolvia um prato de caldo verde e uma samambaia.

#7
Este livro de interpretação de sonhos fará você descobrir o quão imbecil é por acreditar nisto.

#8
Desencape o fio vermelho, isso, agora o azul, isso, agora enrole os dois, isso, agora aperte bem firme com os dedos, isso, agora ligue a chave geral, isso, agora acorde, pois você perdeu a reunião!

#9
Peixe, barranco, lenha, alfinete, pessoa desconhecida, muro de tijolos aparentes, feno, bússola, uma porta trancada, picada na mata fechada, vôo rasante numa praça, pessoa conhecida, lápis, montanha, castiçal, dobradiça, rã, arabescos, bicicleta...

#10
Sonhar em cores é para poucos, mas conversar horas com cores é raríssimo.


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